6 de dez de 2010

O interesse pelo estudo partiu de uma aula do Programa Curricular Interdepartamental "A criança, a escola e eu", para o alunado do primeiro período da Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro sobre “Bullying na Escola”, onde surgiu o questionamento: “O que fazer quando um estudante soropositivo, em idade escolar, se machuca e sangra numa brincadeira em grupo?”. Esta dúvida nos fez refletir e motivar a pesquisar sobre o tema. Agora, o trabalho de bioestatística viabiliza mostrar a importância do assunto, através da análise dos dados coletados. A avaliação de campo foi substanciada em um questionário feito a docentes de instituições públicas e privadas da rede de ensino do estado do Rio de Janeiro. O questionário visa avaliar o nível de informação dos professores e a opinião dos mesmo quanto a atuação dos profissionais de enfermagem na escola.

A falta de informação sobre as formas de transmissão do HIV/Aids por parte dos profissionais e dos responsáveis pelos alunos é a principal barreira relacionada à criança soropositiva e a escola, a pesquisa define-se em estender a prática das ações educativas da enfermagem, para orientar, capacitar e promover a reflexão dos educadores que atuam com crianças soropositivas em idade escolar à temática do HIV, garantindo aos escolares portadores do vírus a promoção da saúde sem atitudes preconceituosas e discriminatórias e, além disso, desenvolver um pensamento humanitário, saudável e seguro dos docentes.

Relações estatísticas da criança com Aids 

A AIDS (síndrome da imunodeficiência adquirida) teve seu primeiro caso diagnosticado em 1982, e desde o início da epidemia até 2009 fora notificados 544.846 casos de AIDS no Brasil. Em 1983 foi diagnosticado o primeiro caso de AIDS em uma criança. Observando essa doença na faixa etária de 5-12 anos encontramos os seguintes dados:




Em relação aos casos de óbitos referentes ao Brasil temos:


Em relação aos casos da exposição ao vírus temos:



Visto a dificuldade que as pessoas com AIDS enfrentam, não só em relação a sua saúde, mas também em relação ao preconceito diante da sociedade, ter que lidar com um estilo de vida mais cuidadoso e com a falta de atendimento e medicamento especializado, atentamos para essa faixa etária de 5-12, e se as escolas possuem profissionais orientados e qualificados para inserir essas crianças com os devidos cuidados e respeito na sociedade, visando também a qualidade de vida dessas crianças.

Observadas as problemáticas do ambiente social escolar e a atuação da enfermagem no âmbito escolar, esta orientação aos profissionais da educação seria ministrada seguindo diretrizes legais. Com base na Constituição Federal e amparada no Estatuto da Criança e do Adolescente, bem como o BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente Art. 53, de 13 de Julho de 1990. “A criança e o adolescente tem direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício de cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-lhes: I – Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola:” e o BRASIL. Art. 54 “É dever do Estado, assegurar à criança e ao adolescente: VII – atendimento no ensino fundamental através de programas suplementares de material didático – escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde.”.


Análise dos dados coletados

Dos entrevistados a maioria era do sexo feminino e atuam em escolas da rede publica de ensino, como pode ser visto na tabela 1 e tabela 2 respectivamente.

           Tabela 1. Distribuição por sexo dos professores entrevistados (n=11).

SEXO
Fi
Fi%


FEMININO

MACULINO




9

2



81,9

18,1
TOTAL
11
100



                                        Tabela 2. Distribuição por rede das instituições de ensino.

INSTITUIÇÕES DE ENSINO
Fi
Fi%

PÚBLICA

PRIVADA


10

1

91

9
TOTAL
11
100
      
A maioria dos entrevistados (n= 7) relataram nunca ter assistido palestras ou filmes ou algum evento que falasse sobre a criança soropositivo HIV+ na escola (tabela 3) e 100% deles demonstraram que acham importante o professor ser capacitado por um profissional de saúde para lidar com escolares soropositivos HIV+. A orientação dada pelos profissionais da saúde também é importante para prevenir atitudes preconceituosas e discriminatórias para com as crianças portadoras do HIV.


              Tabela 3. Orientação recebida sobre como lidar com uma criança soropositiva na escola. 
ALGUMA ORIENTAÇÃO
Fi
Fi%

SIM

NÃO


4

7

36,3

63,7
TOTAL
11
100



Relações comparativas da proposta da pesquisa e os dados coletados

A temática deste estudo é delicada pelo fato de o escolar HIV positivo ter direito ao sigilo sobre sua condição, neste caso a melhor forma de resolver é mesmo através da

informação que os profissionais da escola devem receber para poder desempenhar atitudes comuns a todos, porém com atenção e cuidado, já que ele não sabe se o aluno é soropositivo. Porém todos os entrevistados acham importante a instituição de ensino ser informada pelos responsáveis que aquela criança tem HIV, pois eles acham que com essa informação a escola pode se preparar melhor para lidar com esse aluno, visto que em certas ocasiões ele pode precisar de uma atenção especial.

Todos os professores entrevistados também concordaram que a escola e os professores têm que proporcionar condições para que esse aluno seja inserido normalmente no ambiente escolar através de conversas, debates e esclarecimentos sobre a doença, sendo o enfermeiro como um multiplicador de conhecimento, pois ele passaria a informação aos professores e esses para os alunos, e é preciso que compreendam que essa doença é grave, mas que o carinho e a completa inclusão desse aluno é a melhor forma de tratar a AIDS.

Segundo Seidl et al (2005), entre os motivos apresentados pelos cuidadores para realizarem a revelação à escola, foi mencionada a necessidade de justificar as faltas da criança na escola (em função de internações, idas ao médico etc.) e de obter ajuda para a administração da medicação durante o período escolar. Nos casos de não informação sobre o diagnóstico, é o medo do preconceito e da quebra do sigilo por pessoas da comunidade escolar foram razões citadas para a não revelação da soropositividade da criança/adolescente. Constataram-se ainda dúvidas e inquietações de alguns cuidadores pelo fato de não terem revelado o diagnóstico para a direção e/ou professores, receosos de estarem infringindo aspectos éticos ou regras relativas à obrigatoriedade desse tipo de informação na escola.

Nosso estudo também revelou que a maioria dos professores não sente medo em relação ao enfrentar essa situação de ter um aluno soropositivo, mas demonstram preocupação por não terem obtido orientações sobre o assunto. Por exemplo, se um aluno soro positivo se machucar, como agir?



Dos entrevistados 7 responderam que usariam luvas, 1 encaminharia o aluno para a coordenação, 2 avaliariam a situação para ver como proceder e 1 não saberia como agir, e 3 falaram que tomariam os devidos cuidados para não fazer alardes e expor o aluno. Com esclarecimento e orientação da enfermagem em casos como esse, o professor saberia como agir, o que coopera para a integração dessas crianças, pois seus pais se sentiriam mais seguros em deixar seus filhos portadores de HIV freqüentarem a escola, sabendo que ali existem profissionais bem orientados e qualificados para agir em determinadas situações.

Nenhum dos entrevistados já tiveram alunos soropositivos, pelo menos que eles soubessem.

A atuação do profissional de enfermagem na escola estará visando a atenção integral e interdisciplinar a familiares e crianças que convivem com HIV, garantindo mais qualidade de vida e integração social aos familiares e a essas crianças.

Constatou-se pela analise dos dados que os professores querem e precisam da orientação dos profissionais de enfermagem, mostrando que a maior parte das instituições de ensino do nosso país tem uma grande deficiência quando o assunto é como lidar com alunos soropositivos para o HIV. Devido a essa deficiência, crianças soropositivas vêm sofrendo com a falta de informação dos profissionais atuantes na escola.

Em alguns casos, o preconceito com essas crianças existe devido à falta de informação sobre a transmissão do vírus, fazendo com que muitos professores se recusem a reger turmas pelo medo e por não saber como agir em situações como troca de beijos, compartilhar merendas e talheres ou mesmo abraços. Sendo que o vírus não é transmitido por este tipo de contato social, com isso não há necessidade de restringir o convívio entre as crianças portadoras do HIV com as demais do grupo escolar.





Essa problemática deve ser enfrentada com muita informação baseada na legislação, garantindo os direitos das crianças. Em suma, é necessário o envolvimento do enfermeiro na realização de palestras e na organização de projetos com a temática: “O cuidado da saúde do escolar soropositivo, tendo como principal objetivo capacitar os professores e funcionários a lidar com essas crianças”.

As palestras consistem em conteúdos informativos sobre a transmissão do vírus, história e evolução da AIDS, a transmissão vertical da mãe para o filho e outros meios de transmissão da síndrome para crianças. Será conteúdo importante para os docentes a relação família-escolar-professores implicando na questão da influencia da escola na socialização do indivíduo. Haverá abordagem nos direitos da criança e do adolescente como cidadão legítimo. Serão discutidas eventuais situações no âmbito escolar e a geração de instruções básicas de ações de promoção da saúde.



Todas as orientações prestadas ao professores têm além do objetivo de passar informação para melhor cuidar dessas crianças, e ampliar o campo de atuação da enfermagem, também tem como pretende promover a inclusão social dessas crianças já que elas possuem condições físicas e psíquicas compatíveis com a rotina escolar, e por isso podem e devem freqüentar a escola sem qualquer restrição. 

5 de dez de 2010

Preconceito e problemática da criança soropositiva


As crianças soropositivas podem ter uma sociabilidade normal, como a de qualquer criança, porém é necessário haver um preparo para eventuais problemas que envolva contato com o sangue, como em um acidente em uma brincadeira gerando ferida e posterior tratamento da mesma. Outro exemplo é o "pacto de sangue" ou "aliança de sangue", que consiste em um furo no dedo de amigos  e o contato do sangue dos dois, que muitas vezes é feito por crianças e adolescentes onde  eles juram amor, companheirismo e amizade através da mistura do sangue de ambos. Ações como essas são fatores de risco para a transmissão do vírus HIV , além de outras doenças que são transmitidas por contato sanguíneo.
Além do preconceito existe o sacrificante tratamento contra a aids, que para a criança ainda é mais sofrido, a melhor resposta ao tratamento está envolvida com o grau da qualidade de vida do indivíduo, onde observa-se no gráfico abaixo, que as crianças que apresentam melhor qualidade de vida obtém um aumento nas taxas dos linfócitos CD4 principal célula de defesa que é destruída pelo vírus do HIV.
                                  


Relação de Inferência 
Nível de significância quanto a resposta ao tratamento referente ao aumento de CD4 da criança soropositiva e a influencia da melhor qualidade de vida que o mesmo dispõe.

Qualidade de vida
Aumento
Não houve aumento
Total
Melhor
 100
 0
 100
Menor
 82
18 
100 




 Total
182 
 18
 200

H0 : não influencia                                         
H1 : influencia
X² : estatística do qui quadrado









Tabela de contingência



Esperado
Aumento
Não houve aumento
melhor qualidade de vida
91
0
menor qualidade de vida
74,62
1,62


      
Melhor qualidade de vida

Aumento: 100/200 x 182 = 91
Não houve aumento: 0

Menor qualidade de vida

Aumento: 82/200 x 182 = 74,62
Não houve aumento: 18/200 x 18 = 1,62

4 de dez de 2010

Cuidado e condição soroposiva


Atualmente existe instituições especializadas no cuidado à criança soropositiva, como por exemplo a Sociedade Viva Cazuza, localizada no bairro de Laranjeiras no Rio de Janeiro, eles tem como missão dar assistência a crianças e adolescentes carentes portadoras do vírus da Aids, assistência social a pacientes adultos em tratamento na rede pública na cidade do Rio de Janeiro e difundir informações científicas sobre HIV/Aids além de esclarecimento de dúvidas para profissionais de saúde ou leigos.

3 de dez de 2010

História da AIDS


2010
·     Governos do Brasil e da África do Sul firmam parceria inédita para distribuir 30 mil camisinhas e folders sobre prevenção da AIDS e outras DST durante a Copa do       Mundo de Futebol.
·   Realização do VIII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e AIDS e do I Congresso Brasileiro de Prevenção das Hepatites Virais, em Brasília (DF).
·          Realização da IV Mostra Nacional da Saúde e Prevenção nas Escolas e da I Mostra Nacional do Programa Saúde na Escola (SPE), em Brasília (DF).

2009
·    Programa Nacional de DST e AIDS tornam-se departamento da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde e o Programa Nacional para a Prevenção e Controle das Hepatites Virais é integrado a ele.
·          Desde o início da epidemia, são notificados 544.846 casos de AIDS no país.

2008
·     Realização do VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e AIDS, em Florianópolis (SC).
·      Conclusão do processo de nacionalização de um teste que permite detectar a presença do HIV em apenas 15 minutos. Fio cruz pode fabricar o teste, ao custo de US$ 2,60 cada. Governo gastava US$ 5 por teste.
·         Brasil investe US$ 10 milhões na instalação de uma fábrica de medicamentos antirretrovirais em Moçambique.
·       Prêmio Nobel de Medicina é entregue aos franceses Françoise Barré-Sinoussi e Luc Montagnier pela descoberta do HIV, causador da AIDS. O alemão Harald zur Hausen também recebe o prêmio pela descoberta do HPV, vírus causador do câncer do colo de útero.

2007
·         O Programa Nacional de DST/AIDS institui Banco de Dados de violações dos direitos das pessoas portadoras do HIV.
·         Em janeiro, a Tailândia decide copiar o antirretroviral Kaletra e, em maio, o Brasil decreta o licenciamento compulsório do Efavirenz.
·         É assinado acordo para reduzir preço do antirretroviral Lopinavir/Ritonavir.
·         Em um ano, a UNITAID reduz preços de medicamentos antirretrovirais em até 50%.
·         Aumenta a sobrevida das pessoas com AIDS no Brasil.
·         Campanha do Dia Mundial de Luta contra a AIDS, cujo tema são os jovens, é lançada no Cristo Redentor.
·        Os ministérios da Saúde e Educação e as Nações Unidas premiam máquinas de preservativos.
·        Brasil registra 474.273 casos de infecção pelo HIV até junho.

2006
·        O terceiro sábado de outubro é promulgado como o Dia Nacional de Combate à Sífilis.
·          Toronto recebe 20 mil pessoas para a 16ª Conferência Mundial sobre AIDS, o maior evento sobre AIDS no mundo.
·           Dia Mundial de Luta contra a AIDS teve sua campanha protagonizada por pessoas vivendo com AIDS.
·         À noite, em uma ação inédita, a inscrição da RNP+ “Eu me escondia para morrer, hoje me mostro para viver” foi projetada em raio laser nas duas torres do     Congresso Nacional, que ficou às escuras, como forma de lembrar os mortos pela doença.
·          Brasil reduz em mais de 50% o número de casos de transmissão vertical, quando o HIV é passado da mãe para o filho, durante a gestação, o parto ou a amamentação.
·      Acordo reduz em 50% preço do antirretroviral Tenofovir, representando uma economia imediata de US$ 31,4 milhões por ano.
·           Registros de AIDS no Brasil ultrapassam 433.000.

2005
·    Makgatho Mandela (filho do ex-presidente Nelson Mandela) morre em consequência da AIDS, aos 54 anos.
·           O tema do Dia Mundial de Luta Contra a AIDS no Brasil aborda o racismo como fator de vulnerabilidade para a população negra.
·           Até junho, são 371.827 registros de AIDS no Brasil.

2004
·    Morrem duas lideranças transexuais, a advogada e militante Janaína Dutra e a ativista Marcela Prado (ambas grandes colaboradoras do Programa Nacional de DST e AIDS).
·            Lançamento do algoritmo brasileiro para testes de genotipagem.
·     Recife reúne quatro mil participantes em três congressos simultâneos: o V Congresso Brasileiro de Prevenção em DST/AIDS, o V Congresso da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS e o I Congresso Brasileiro de AIDS.
·         Já é de 362.364 o total de casos de AIDS até junho.

2003
·     Realização do II Fórum em HIV/Aids e DST da América Latina, em Havana, Cuba.
·        O Programa Nacional de DST/AIDS recebe US$ 1 milhão da Fundação Bill & Melinda Gates como reconhecimento às ações de prevenção e assistência no país. Os recursos foram doados para ONGs que trabalham com portadores de HIV/AIDS. O Programa é considerado por diversas agências de cooperação internacional como referência mundial.
·         Os registros de AIDS no Brasil são 310.310.

2002
·          O Fundo Global para o Combate a AIDS, Tuberculose e Malária é criado para captar e distribuir recursos, utilizados por países em desenvolvimento para controlar as três doenças infecciosas que mais matam no mundo.
·        Um relatório realizado pelo Unaids, programa conjunto das Nações Unidas para a luta contra a AIDS, afirma que a AIDS vai matar 70 milhões de pessoas nos próximos 20 anos, a maior parte na África, a não ser que as nações ricas aumentem seus esforços para conter a doença.
·          A 14ª Conferência Internacional sobre AIDS é realizada em Barcelona.
·     O número de casos de AIDS notificados no país, desde 1980, é de 258.000.

2001
·         Implantação da Rede Nacional de Laboratórios para Genotipagem.
·         Brasil ameaça quebrar patentes e consegue negociar com a indústria farmacêutica internacional a redução no preço dos medicamentos para AIDS.
·    Organizações médicas e ativistas denunciam o alto preço dos remédios contra AIDS. Muitos laboratórios são obrigados a baixar o preço das drogas nos países do Terceiro Mundo.
·        O HIV Vaccine Trials Network (HVTN) planeja testes com vacina em vários países, entre eles o Brasil.
·          Em duas décadas (1980 - 2001), o total de casos de AIDS acumulados é de 220.000.

2000
·          A 13ª Conferência Internacional sobre AIDS, em Durban, na África do Sul, denuncia ao mundo a mortandade na África. Dezessete milhões morreram de AIDS no continente, sendo 3,7 milhões crianças. Estão contaminados 8,8% dos adultos. O Presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, escandaliza o mundo ao sugerir que o HIV não causa a AIDS.
·          Realização do I Fórum em HIV/AIDS e DST da América Latina, no Rio de Janeiro.
·       A partir de acordo promovido pelas Nações Unidas, cinco grandes companhias farmacêuticas concordam em diminuir o preço dos remédios usados no tratamento da AIDS para os países em desenvolvimento.
·        No Brasil, aumenta a incidência em mulheres. Proporção nacional de casos de AIDS notificados é de uma mulher para cada dois homens.

1999

·         Número de medicamentos disponibilizados pelo Ministério da Saúde já são 15.
·          Mortalidade dos pacientes de aids cai 50% e qualidade de vida dos portadores do HIV melhora significativamente.
·         Estudos indicam que, quando o tratamento é abandonado, a infecção torna-se outra vez detectável.
·          Pacientes desenvolvem efeitos colaterais aos remédios.
·         Marylin, um chimpanzé fêmea, ajuda a confirmar que o SIV (simian immunodeficiency vírus ou vírus da imunodeficiência dos símios) foi transmitido para seres humanos e sofreu mutações, transformando-se no HIV. Testes genéticos mostram que o HIV é bastante similar ao SIV, que infecta os chimpanzés, mas não os deixa doentes.

1998
·        Validação do algoritmo nacional para diagnóstico das DST no Brasil.
·        Ministério da Saúde recomenda a aplicação da abordagem sindrômica das DST para seu tratamento oportuno e consequente diminuição da incidência do HIV.
·        Rede pública de saúde disponibiliza, gratuitamente, onze medicamentos.
·         Lei define como obrigatória a cobertura de despesas hospitalares com aids pelos seguros-saúde privados (mas não assegura tratamento antirretroviral).
·         Pesquisas detectam o HIV em gânglios linfáticos, medula e partes do cérebro de muitos soropositivos que apresentam cargas virais indetectáveis pelos exames.
·         Cientistas registram a imagem da estrutura cristalina da proteína gp 120 do vírus da AIDS, usada por ele para entrar nas células do sistema imunológico atacadas pelo HIV.
·         Lançamento das campanhas “Sem Camisinha não Tem Carnaval” e "A Força da Mudança: com os jovens em campanha contra a AIDS”.

1997
·         Implantação da Rede Nacional de Laboratórios para o monitoramento de pacientes com HIV em terapia com antirretroviral, com a realização de exames de carga viral e contagem de células CD4 (células que fazem parte do sistema de defesa do organismo ou sistema imunológico).
·         Morre o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. Hemofílico, contaminado por transfusão de sangue, defendia o tratamento digno dos doentes de AIDS.
·         Já são 22.593 casos de AIDS no Brasil.

1996
·          Programa Nacional de DST e AIDS lança o primeiro consenso em terapia antirretroviral (regulamentação da prescrição de medicações para combater o HIV).
·         Lei fixa o direito ao recebimento de medicação gratuita para tratamento da AIDS.
·         Disponibilização do AZT venoso na rede pública.
·         Queda das taxas de mortalidade por AIDS, diferenciada por regiões. Percebe-se que a infecção aumenta entre as mulheres, dirige-se para os municípios do interior dos estados brasileiros e aumenta significativamente na população de baixa escolaridade e baixa renda.
·          Casos da doença no Brasil somam 22.343.

1995
·         Até esse ano, a assistência medicamentosa era precária, contando somente com AZT (zidovudina), Videx e dideoxicitidina.
·         Uma nova classe de drogas contra o HIV, os inibidores de protease (dificultam a multiplicação do HIV no organismo), é aprovada nos EUA.
·         Zerti e Epivir, outros inibidores de transcriptase reversa, são lançados, aumentando as escolhas de tratamento.
·         Estudos revelam que a combinação de drogas reduz a progressão da infecção, mas o custo do tratamento é de US$ 10 mil a US$ 15 mil por ano.
·          Pesquisa demonstra que o tratamento precoce das DST, com consequente redução no tempo de evolução das doenças e de suas complicações, faz com que o risco de transmissão e aquisição do HIV diminuam. Com isso, a incidência do HIV reduz em 42%.
·          Os números de casos no Brasil já somam 19.980.

1994
·         Acordo com o Banco Mundial dá impulso às ações de controle e prevenção às DST e à AIDS previstas pelo Ministério da Saúde.
·         Estudos mostram que o uso do AZT ajuda a prevenir a transmissão do HIV de mãe para filho durante a gravidez e o parto.
·          Definição para diagnosticar casos de AIDS em crianças.
·         Brasil registra 18.224 casos de AIDS.

1993
·         Início da notificação da AIDS no Sistema Nacional de Notificação de Doenças (SINAN).
·         Morre de AIDS o bailarino russo Rudolf Nureyev.
·         A atriz Sandra Brea (1952-2000) anuncia que é portadora do vírus.
·         Brasil passa a produzir o AZT (coquetel que trata a AIDS).
·        Total de casos notificados no Brasil: 16.760.

1992
·         Primeiro estudo sobre o uso de várias drogas combinadas contra o HIV. Pesquisa aponta a importância das doenças sexualmente transmissíveis (DST) como cofator para a transmissão do HIV, podendo aumentar o risco de contágio do HIV em até 18 vezes.
·         Os médicos americanos Robert Gallo e francês Luc Montagnier chegam a um acordo definitivo sobre o crédito da descoberta do vírus.
·          A sociedade brasileira indigna-se quando a menina Sheila Cartopassi de Oliveira, de cinco anos, tem a matrícula recusada em uma escola de São Paulo, por ser portadora de HIV.
·          Inclusão, no código internacional de doenças, da infecção pelo HIV.
·         Ministério da Saúde inclui os procedimentos para o tratamento da AIDS na tabela do SUS.
·          Início do credenciamento de hospitais para o tratamento de pacientes com AIDS.
·         Lançamento da campanha Vamos todos contra a AIDS de mãos dadas com a vida.
·         Os casos da infecção pelo HIV no Brasil chegam a 14.924.

1991
·         Inicia-se o processo para a aquisição e distribuição gratuita de antirretrovirais (medicamentos que dificultam a multiplicação do HIV).
·          Lançamento do Videx (ddl), que como o AZT faz parte de um grupo de drogas chamadas inibidores de transcriptase reversa.
·          Dez anos depois de a AIDS ser identificada, a Organização Mundial da Saúde anuncia que 10 milhões de pessoas estão infectadas com o HIV pelo mundo.
·         O jogador de basquete Magic Johnson anuncia que tem HIV.
·         Já são 11.805 casos de AIDS no Brasil.

1990
·          O cantor e compositor Cazuza morre, aos 32 anos, em decorrência da AIDS.

1989
·        Morre de AIDS o ator da TV Globo Lauro Corona, aos 32 anos.
·       Ativistas forçam o fabricante do AZT, Burroughs Wellcome, a reduzir em 20% o preço do remédio.
·       Durante Congresso de Caracas, na Venezuela, profissionais da saúde definem novo critério para a classificação de casos de AIDS.
·        Brasil registra 6.295 casos de AIDS.

 1988
·         No Brasil, uma portaria assinada pelo ministro da Saúde, Leonardo Santos Simão, passa a adotar o dia 1º de dezembro como o Dia Mundial de Luta contra a AIDS.
·        Morre o cartunista Henrique de Souza Filho, o Henfil, aos 43 anos, em decorrência da AIDS.
·        Criação do Sistema Único de Saúde.
·        O Ministério da Saúde inicia o fornecimento de medicamentos para tratamento das infecções oportunistas.
·        Primeiro caso diagnosticado na população indígena.
·        Os casos notificados no Brasil somam 4.535.

1987
·         Criação do Primeiro Centro de Orientação Sorológica (COAS), em Porto Alegre (RS).
·          Questiona-se a definição de comportamentos sexuais tidos como anormais.
·          Início da utilização do AZT, medicamento para pacientes com câncer e o primeiro que reduz a multiplicação do HIV.
·          Os ministérios da Saúde e do Trabalho incluem as DST/AIDS na Semana Interna de Prevenção de Acidentes no Trabalho e Saúde.
·         A Assembléia Mundial de Saúde, com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), decide transformar o dia 1º de dezembro em Dia Mundial de Luta contra a AIDS, para reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão em relação às pessoas infectadas pelo HIV. A escolha dessa data seguiu critérios próprios das Nações Unidas.
·        Os casos notificados no Brasil chegam a 2.775.

1986
·        Criação do Programa Nacional de DST e AIDS, pelo ministro da Saúde Roberto Santos.

1985
·         Fundação do Grupo de Apoio à Prevenção à AIDS (GAPA), primeira ONG do Brasil e da América Latina na luta contra a AIDS.
·         Diferentes estudos buscam meio diagnóstico para a possível origem viral da AIDS.
·         O primeiro teste anti-HIV é disponibilizado para diagnóstico.
·         Caracterização dos comportamentos de risco no lugar de grupo de risco.
·         Descoberta que a AIDS é a fase final da doença, causada por um retrovírus, agora denominado HIV (Human Immunodeficiency Vírus, em inglês), ou vírus da imunodeficiência humana.
·          Primeiro caso de transmissão vertical (da mãe grávida para o bebê).

1984
·         A equipe de Luc Montagnier, do Instituto Pasteur, na França, isola e caracteriza um retrovírus (vírus mutante que se transforma conforme o meio em que vive) como o causador da AIDS.
·         Início da disputa, entre os grupos do médico americano Robert Gallo e do francês Luc Montagnier, pela primazia da descoberta do HIV.
·         Estruturação do primeiro programa de controle da AIDS no Brasil, o Programa da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo.

1983
·          Primeira notificação de caso de AIDS em criança.
·          Relato de caso de possível transmissão heterossexual.
·          Homossexuais usuários de drogas são considerados os difusores do fator para os heterossexuais usuários de drogas.
·         Relato de casos em profissionais de saúde.
·         Primeiras críticas ao termo grupos de risco (grupos mais vulneráveis à infecção).
·         Gays e haitianos são considerados principais vítimas.
·         Possível semelhança com o vírus da hepatite B.
·        Focaliza-se a origem viral da AIDS.
·        No Brasil, primeiro caso de AIDS no sexo feminino.

1982
·       Adoção temporária do nome Doença dos 5 H, representando os homossexuais, hemofílicos, haitianos, heroinômanos (usuários de heroína injetável) e hookers (nome em inglês dado às profissionais do sexo).
·        Conhecimento do fator de possível transmissão por contato sexual uso de drogas ou exposição a sangue e derivados.
·         Primeiro caso decorrente de transfusão sanguínea.
·         Primeiro caso diagnosticado no Brasil, em São Paulo.

1981
·         Primeiras preocupações das autoridades de saúde pública nos EUA com uma nova e misteriosa doença.

1980
·         Primeiro caso no Brasil, em São Paulo, também só classificado em 1982.

1977 e 1978
·         Primeiros casos nos EUA, Haiti e África Central, descobertos e definidos como AIDS, em 1982, quando se classificou a nova síndrome.